A maioria das pessoas conhece a creatina por uma coisa: músculos maiores.
É o pó preferido em bolsas de ginástica em todos os lugares. Ajuda as células a produzir ATP, o combustível que alimenta o movimento. Bastante simples.
Mas um novo estudo da UCLA inverte o guião.
A creatina não serve apenas para ganhos. Pode estar alimentando toda a sala de guerra do sistema imunológico. Especificamente, ajuda as células que comandam a luta contra o câncer.
“A creatina não ajuda apenas as células T… ela energiza toda a infraestrutura que as sustenta e as orienta.”
— Lili Yang, imunologista
Como a creatina alimenta as células dendríticas e as células T assassinas
O sistema imunológico tem soldados e generais.
As células T assassinas são os soldados. Eles entram correndo e destroem as células cancerígenas. Mas eles precisam de ordens.
As células dendríticas são as generais. Eles encontram fragmentos de tumores, identificam o inimigo e direcionam as células T para a briga. Sem boa inteligência, os soldados vagam sem rumo.
Os pesquisadores analisaram tumores de ratos. Eles notaram algo estranho.
Os genes que puxam a creatina para as células estavam trabalhando horas extras dentro das células dendríticas encontradas nos tumores. Essas células de apoio estavam famintas pelo composto.
Quando a equipe removeu o transportador de creatina dessas células em laboratório, as células dendríticas morreram mais rapidamente. Eles não conseguiram treinar as células T de forma eficaz. A resposta imunológica estagnou.
O inverso também era verdadeiro.
Quando aumentaram os níveis de creatina em ratos com melanoma, os resultados mudaram.
O crescimento do tumor diminuiu. O número de células dendríticas aumentou. Os “generais” tornaram-se mais activos e melhores na mobilização das suas tropas.
Por que a imunoterapia falha e como a creatina pode ajudar
As imunoterapias atuais são poderosas.
Eles treinam seu corpo para reconhecer o câncer. Mas eles não funcionam para todos.
Apenas 20 a 40 por cento dos pacientes obtêm sucesso significativo. O resto? O tratamento fracassa. O sistema imunológico não está suficientemente ativado. Ou está exausto demais para lutar.
É aqui que a creatina entra na conversa.
Ele atua como uma bateria reserva.
Se as células dendríticas estiverem carentes de energia, elas não conseguirão processar os dados necessários para desencadear um ataque imunológico completo. Ao fornecer combustível metabólico extra, a creatina pode manter estas células de suporte vivas e eficientes.
“Trata-se de apoiar toda a resposta antitumoral”, diz Elliot Kang, biólogo molecular envolvido no estudo. “Não apenas as células T assassinas no final.”
Pense nisso como atualizar a conexão com a Internet durante uma videochamada. Os alto-falantes (células T) estão bem. O problema era o atraso no fluxo de dados (células dendríticas). A creatina corrige o atraso.
Pacientes com câncer devem tomar suplementos de creatina agora?
Resposta curta: não.
Ainda não.
Estas descobertas vêm de modelos de ratos e células humanas cultivadas em placas de Petri. Isso não é um corpo humano.
A biologia humana é confusa. O que funciona em um laboratório estéril ou em um camundongo geneticamente uniforme pode não funcionar em um paciente com histórico médico complexo, problemas renais ou outros medicamentos.
“Pacientes com câncer não deveriam tomar creatina… sem consultar um médico.”
— Equipe de Pesquisa
A creatina é geralmente segura. É usado para tratar distúrbios metabólicos raros. É barato. Está amplamente disponível.
Mas “seguro” não significa “recomendado para o seu tipo específico de câncer”.
Os pesquisadores querem realizar os próximos ensaios clínicos. O objetivo é testar diferentes níveis de creatina em pessoas que já fazem imunoterapia.
Eles querem ver duas coisas:
- A adição de creatina aumenta a taxa de sucesso das imunoterapias atuais?
- A creatina pode melhorar a qualidade das vacinas de células dendríticas antes mesmo de serem administradas aos pacientes?
Se os dados se mantiverem em humanos, o impacto poderá ser substancial.
Poderemos ver esse aumento de 20 a 40 por cento na taxa de sucesso. Não porque encontramos uma solução mágica. Mas porque demos melhor combustível às máquinas existentes.
É um pequeno ajuste.
Talvez apenas uma colher de pó.
Mas na luta contra o cancro, por vezes o menor apoio faz a maior diferença.
Os julgamentos estão pendentes. Esperamos.
Até então, a ciência é clara: a creatina faz mais do que construir músculos. Isso cria imunidade.


























