Estávamos errados sobre DNA ‘lixo’

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O genoma estava mentindo para nós.

Ou pelo menos. Estava escondendo coisas.

Uma equipe internacional de pesquisadores acabou de remover uma camada de biologia que nem sabíamos que existia. Mais de 1.700 proteínas chamadas “escuras”. Eles estavam lá o tempo todo. Escondidos nas partes do nosso DNA que consideramos como ruído inútil.

Estas não são proteínas típicas.

Eles são menores. Esquisito. Ambíguo.

“Demos um nome a algo que vimos ter potencial para investigação”, diz Sebastiaan van Heesch. Oncologista pediátrica do Centro Princesa Máxima. “Formalmente definido. Tornado acessível.”

Durante décadas. Pensávamos que apenas uma fração do DNA humano funcionava de verdade. O resto? ‘Porcaria.’ Peso morto. Um erro de digitação cósmico.

Estávamos errados.

Acontece que a paisagem ignorada não está vazia. Está repleto de interruptores. Controles. Alavancas que acionam os genes “reais”. O genoma sombrio.

Agora sabemos que faz mais do que apenas ajustar as coisas. Ele também constrói coisas. Um proteoma escuro.

“A visão geral atual não capta a imagem”, admite van Heesch. “Milhares de sequências foram perdidas. Negligenciadas. Bem debaixo de nossos narizes.”

Eles chamaram as novas moléculas de peptídeoinas.

Meia proteína. Meio peptídeo. Uma categoria própria.


Como você encontra o invisível?

Você tem que procurar muito.

A equipe começou com 7.264 suspeitos. Regiões chamadas quadros de leitura abertos não canônicos (ncORFs). Eles eram conhecidos por codificar potencialmente proteínas. Mas ninguém sabia se eles realmente produziam algo detectável.

Então os pesquisadores analisaram os números.

3,7 bilhões de pontos de dados.
95.522 experimentos.
20.000 horas. Do poder computacional.

Demorou uma eternidade.

“Foi especial quando percebemos”, lembra van Heesch. “Isso é realmente novo.”

Desses 7.000 candidatos? Eles encontraram 1.785 microproteínas reais.


Por que isso é importante?

Aqui está a questão da ciência. A descoberta geralmente é apenas um trailer. O filme principal ainda nem começou.

John Prensner. Neuro-oncologista pediátrico da Universidade de Michigan. Ele vê uma virada de jogo.

“Estamos entrando em uma fase emocionante”, diz ele.

Mas a excitação precisa de provas.

No início deste ano, a equipe refinou suas definições. Eles decidiram pela ‘peptídeoina’. E eles encontraram um candidato específico que realmente faz um trabalho.

Vem de OLMALINC.

Anteriormente considerado um gene não codificante. Basicamente, DNA silencioso. Mas esta peptídeoina? Ajuda o câncer a sobreviver.

Eles o desativaram no laboratório. As células cancerosas lutaram para crescer.

Então funciona.

Se você conseguir desligar a proteína, você interrompe o tumor.


Ainda não é uma cura. Mas uma porta.

Esta não é uma cura para o câncer em uma garrafa.

Ainda não.

Mal estamos na fase de leitura do mapa. Mas o potencial é terrivelmente brilhante. Se essas pequenas moléculas provocam doenças. Poderemos ter novos alvos para tratamento. Problemas cardiovasculares. Alzheimer. Coisas nas quais estamos presos há anos.

“Centenas de peptídeos”, observa Hübner. “Visibilidade. Proteoma expandido.”

Nosso DNA nunca foi preguiçoso.

Estava apenas ocupado.