A ciência dos tênis que rangem: por que os tênis de basquete fazem esse som

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O barulho agudo dos tênis na quadra de basquete é mais do que apenas um subproduto do jogo; é um fenômeno físico complexo finalmente compreendido por pesquisadores da Universidade de Harvard. Um novo estudo, publicado na Nature em 26 de fevereiro, revela que o som não é uma fricção aleatória, mas o resultado de um movimento rápido de “deslizamento” na sola do sapato.

O Mecanismo Stick-Slip

A análise de vídeo em alta velocidade mostra que quando um sapato gira ou para abruptamente, sua sola não desliza suavemente. Em vez disso, partes da borracha prendem-se ao chão, enquanto outras grudam momentaneamente e depois se soltam em rajadas rápidas. Estas explosões criam ondulações que viajam ao longo da sola a uma velocidade surpreendente – aproximadamente 4.800 vezes por segundo. Cada ondulação impacta o ar circundante, causando mudanças de pressão que se traduzem em uma onda sonora estridente.

“A frequência do som corresponde ao ritmo desses pulsos de deslizamento”, explica Adel Djellouli, um físico aplicado envolvido no estudo.

Isso significa que o tom do guincho não é arbitrário; está diretamente ligado à taxa com que a sola escorrega e trava.

O papel do design da banda de rodagem

Os pesquisadores descobriram que o desenho da banda de rodagem do calçado é fundamental. Um bloco plano de borracha deslizando sobre uma superfície produz apenas um ruído caótico e abafado. No entanto, quando estão presentes cristas, elas canalizam esses impulsos de deslizamento, organizando-os num padrão regular. Essa organização é o que produz o guincho distinto e agudo. Ao testar blocos com e sem saliências, a equipe confirmou que a banda de rodagem guia os pulsos, tornando-os consistentes.

Implicações e aplicações futuras

O estudo também revelou que a espessura e a rigidez do material da sola influenciam o tom do rangido. Isso abre a possibilidade de projetar tênis “silenciosos”, ajustando a frequência para uma faixa ultrassônica – inaudível para os humanos. No entanto, observa Djellouli, esses sapatos podem incomodar os companheiros caninos que conseguem detectar essas frequências.

Como uma demonstração lúdica, os pesquisadores até usaram blocos de borracha personalizados para tocar “A Marcha Imperial” de Star Wars, provando que a presença de Darth Vader seria muito menos intimidante com calçados barulhentos.

Esta pesquisa destaca como sons aparentemente mundanos, como rangidos de tênis, são governados por princípios físicos fundamentais. As descobertas podem levar a novos materiais e designs para calçados esportivos, embora ainda não se saiba se os atletas se beneficiarão com o silêncio.