Hábitos sexuais neandertais revelados através do DNA antigo

7

Os humanos modernos e os neandertais cruzaram-se há dezenas de milhares de anos, deixando vestígios do ADN dos neandertais na maioria das pessoas hoje. Uma nova investigação sugere que este não foi um acasalamento aleatório: havia um padrão claro de preferência em quem dormia com quem. Um estudo publicado na Science mostra que os homens com uma elevada percentagem de ascendência Neandertal eram fortemente favorecidos por mulheres com ADN humano principalmente moderno – e vice-versa.

Por que isso é importante

Esta descoberta é significativa porque lança luz sobre a dinâmica social das primeiras interações humanas. Durante muito tempo, os cientistas presumiram que o cruzamento era simplesmente oportunista, acontecendo sempre que os dois grupos se encontravam. Mas esta nova evidência genética mostra que existiam preferências, implicando um nível de escolha social na selecção de parceiros.

A evidência

Os pesquisadores analisaram dados genéticos de milhares de pessoas, observando a correlação entre a ancestralidade dos Neandertais e os padrões reprodutivos. O principal autor do estudo, Alexander Platt, da Universidade da Pensilvânia, observa que a preferência observada foi “surpreendentemente forte”, implicando uma forte atração entre esses grupos.

As razões exatas desta preferência permanecem desconhecidas. É possível que os homens de Neandertal tivessem características que as mulheres humanas modernas consideravam particularmente atraentes, como força física ou características distintas. Alternativamente, a atração mútua poderia estar em jogo. A principal conclusão é que o cruzamento não foi apenas um acidente biológico; foi influenciado por preferências comportamentais.

O que podemos aprender com isso

Os paleoantropólogos estão entusiasmados com estas descobertas porque revelam detalhes sobre o comportamento dos Neandertais que nunca seriam encontrados em registos fósseis. A análise de DNA é agora uma ferramenta poderosa para reconstruir a vida íntima dos nossos antepassados. Como aponta April Nowell, da Universidade de Victoria: “Hoje em dia, estamos aprendendo muito nos laboratórios sobre o comportamento dos Neandertais… coisas que simplesmente não seriam preservadas no registro arqueológico ou fóssil.”

Concluindo, o DNA antigo revela que as preferências sexuais moldaram o cruzamento entre os humanos modernos e os neandertais, acrescentando uma nova camada de complexidade à nossa compreensão da história humana primitiva.