O homem que colocou os números em terreno instável

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Charles Richter não estudou apenas terremotos. Ele inventou a linguagem usada para descrevê-los.

Nascido em 1900, numa fazenda perto de Hamilton, Ohio, ele trocou a vida rural pelos riscos sísmicos da Califórnia. Sua mãe mudou-se com a família para Los Angeles em 1916. O jovem Richter cursou o ensino superior, cursando a Universidade do Sul da Califórnia antes de ingressar em Stanford para cursar graduação. Ele terminou bem no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), obtendo seu Ph.D. em 1928.

A essa altura, o terreno abaixo dele já era uma obsessão profissional.

Ingressou no Laboratório Sismológico da Carnegie Institution em Pasadena. Era um centro para ciência séria. Ele permaneceu lá até 1936, depois mudou seu foco para o Caltech. Lá, ele ensinou física e sismologia enquanto continuava suas pesquisas no recém-fundado Laboratório Sismológico. Ele permaneceu lá por décadas, moldando o campo até sua aposentadoria em 1970.

A grande chance veio em 1935.

Richter não estava trabalhando sozinho. Ele se uniu a Beno Gutenberg, professor alemão também da Caltech. Juntos, eles precisavam de uma forma de quantificar o caos. Os métodos existentes eram confusos. A escala Mercalli baseou-se em relatórios humanos – a gravidade da queda de um edifício, se as pessoas sentiram isso. Foi subjetivo. Não funcionou bem para terremotos distantes ou comparações diretas.

Richter e Gutenberg olharam para as máquinas.

Eles usaram gravações instrumentais do movimento do solo para criar uma escala numérica. Foi quantitativo. Foi consistente. Ele mediu a energia real liberada. Eles a chamaram de escala de magnitude. A história anexaria o nome de Richter a isso. Ele se tornaria o rosto da medição de terremotos, embora a colaboração fosse verdadeiramente compartilhada.

Essa nova escala fez mais do que apenas abalar a classificação. Permitiu aos sismólogos mapear com precisão áreas propensas a terremotos nos Estados Unidos. Transformou um evento natural aterrorizante em dados que puderam ser gerenciados, estudados e compreendidos.

Richter foi pragmático quanto aos limites da ciência. Ele mapeou os riscos. Ele quantificou o poder. Mas ele estava cético em relação à previsão. Ele menosprezou abertamente as tentativas de prever exatamente quando e onde o próximo grande problema aconteceria. A terra não segue um cronograma.

Sua produção acadêmica foi substancial. Ele foi coautor de Sismicidade da Terra e Fenômenos Associados em 1949. Depois veio Sismologia Elementar em 1958. Ambos se tornaram referências padrão. Ele até escreveu o verbete sobre “Terremotos” para a 15ª edição da Encyclopædia Britannica, publicada em 1974.

Ele morreu em Pasadena em 30 de setembro de 1985.

A escala permanece. Está incorporado em nossa cultura agora. Uma magnitude 7,0 não é apenas um número em um gráfico. É um aviso. É uma medida de força. Richter nos deu a ferramenta para compreender os pulsos violentos do planeta. Ainda o usamos sempre que o solo se move.

Saber a magnitude nos ajuda a sobreviver? Talvez não diretamente. Mas isso nos ajuda a nos preparar. E isso tem que contar para alguma coisa.