Cidade Fantasma, Éden Verde

20

Abril de 1986. Um reator explodiu em Chernobyl. Há quarenta anos, esse desastre foi classificado entre os piores acidentes provocados pelo homem na história. O fogo espalhou radiação por quilômetros.

Cidades como Pripyat ficaram vazias. A União Soviética traçou uma linha: num raio de 30 quilómetros, fique de fora.

Agora? Abrange 2.600 quilômetros quadrados. Um dos pontos mais quentes da Terra em termos de radiação. Os humanos não vão lá. Os animais sim.

“Os animais não conseguem ler os sinais de alerta.”

Então eles os ignoraram. Enquanto fugimos, a natureza entrou em ação.

Um novo estudo prova que não são apenas ratos e baratas. Grandes coisas estão prosperando lá. Alce. Lince euro-asiático. Cervo. Até os cavalos de Przewalski, que foram extintos na natureza há um século. Eles estão vivendo na zona radioativa como se fosse um clube de campo.

Espere. Eu disse acidental? Não exatamente.

Desde 2016, a zona é oficial. A Ucrânia criou a Reserva da Biosfera de Radiação e Ecologia de Chornobyl. É um santuário por decreto agora. Mas antes da papelada? Apenas ausência. A nossa ausência.

Svitlana Kudrenko, da Universidade Albert Ludwig de Freiburg, na Alemanha, liderou uma equipe para contar os habitantes. Eles não andavam apenas por aí com cadernos.

Eles montaram câmeras.

Em 2020, 2021. Armadilhas fotográficas no norte da Ucrânia. Eles verificaram a zona de Chernobyl. Quatro outras reservas próximas – Drevlianskyi, Polysya, Rivne, Chernobyl. Além de dois parques e áreas selvagens aleatórias sem proteção.

60.000 quilômetros quadrados. Uma enorme mancha de sujeira para escanear.

Os resultados? Um mosaico de vida, mas com uma falha na matriz. A conexão é importante.

A maioria dessas reservas é solitária. Ilhas isoladas num mar de terras agrícolas e atividade humana. Chernobyl e Drevlianksy? Conectado. Grandes pedaços de floresta ininterrupta.

E esse link mudou tudo.

A equipe registrou 31,21 avistamentos no total. Noventa e três por cento desses acessos vieram de um só lugar. Só a reserva de Chernobyl registrou 19,32 fotos.

19,2 significa 1,32 alces? Obviamente não. Um cervo pode acionar uma armadilha três vezes ao dia. Mas a matemática sobre ocupação é sólida. Onde as reservas se unem, a vida é mais densa. Onde eles estão fragmentados, isso diminui.

Eles avistaram 3 espécies selvagens.

  1. Veado vermelho
  2. Alce
  3. Javali
  4. Urso pardo
  5. Lince
  6. Lobos

Além de lebres, texugos, raposas. Cães domésticos, gado. Humanos, raramente.

Aqui está o chute: quanto maior a área, mais felizes serão os animais grandes. Especialmente alce. Esses gigantes nos odeiam. Quando os pesquisadores entraram na sua zona, o número de alces caiu. Eles sentiram a perturbação. Eles desapareceram.

Nas zonas conectadas? Sem perturbações. Não nós.

A radiação os machucou? Os cientistas não olharam para isso. Não é o objetivo deles. Eles queriam responder a uma pergunta. O que acontece quando as pessoas vão embora?

Resposta: A vida selvagem explode.

Acontece que, para um alce ou um lince, estar num jardim radioativo é melhor do que viver perto de um subúrbio. Preferível? Talvez. Estranho? Inegavelmente.

A Rússia invadiu em 202. Acesso encerrado. A pesquisa estagnou. Os dados que temos podem ser os melhores que obteremos por um tempo.

Publicado em Anais da Royal Society B. Um sólido registro revisado por pares de um paradoxo. Queimamos o céu para matar o ar e, de alguma forma, salvamos os animais de nós mesmos.

Isso torna a explosão boa?

Não. Significa apenas que somos piores para a natureza do que a radiação. Pelo menos, de acordo com esses números.

O que nos deixa com uma verdade silenciosa e desconfortável. Talvez o lugar mais seguro da Terra para um urso pardo seja bem no centro de um colapso.

E isso é uma vitória sem vencedores. 🐻🚫