Ethel Barrymore: a primeira-dama do teatro americano

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Nascida na Filadélfia em 15 de agosto de 1879 e falecida em Hollywood em 18 de junho de 1959, Ethel Barrymore não apenas atuou. Ela definiu um padrão. Sua voz distinta, inteligência afiada e presença de palco imponente lhe renderam o título de “primeira-dama” do teatro americano. Ela não era apenas uma participante da indústria; ela era sua âncora.

O nome Barrymore não é apenas um sobrenome de celebridade. É uma dinastia. Ethel ficou no centro disso, preenchendo a lacuna entre as convenções rígidas da encenação do século XIX e o realismo emergente do século XX. Enquanto seu irmão John e sua sobrinha Drew mais tarde capturariam os holofotes de Hollywood, Ethel manteve a corte no palco por décadas. Ela não precisava de uma câmera para chamar a atenção. Só a sua voz poderia encher um teatro, carregando com precisão o peso de cada sílaba.

Por que Ethel Barrymore é importante na história de Hollywood

Você pode conhecer a linhagem Barrymore, mas quantos sabem qual membro fez a transição mais perfeita do teatro clássico para a tela? Ethel fez a mudança, mas manteve intacta sua integridade teatral. Ela não emburreceu seu desempenho para a câmera. Em vez disso, ela trouxe ao filme a mesma intensidade que exigia no palco. Esta abordagem influenciou a forma como as futuras gerações de atores abordaram o seu ofício. Não se tratava de se encaixar. Tratava-se de se destacar com clareza.

Sua carreira durou quase cinquenta anos. Isso é muito tempo em uma indústria conhecida por queimar de forma brilhante e rápida. No entanto, ela permaneceu relevante, não por perseguir tendências, mas por dominá-las. Ela entendeu que a atuação do personagem exigia mais do que apenas ler falas. Exigia experiência vivida. E Ethel tinha muito disso.

O legado de um ícone teatral

Quando as pessoas falam sobre a era de ouro do teatro americano, muitas vezes esquecem as mulheres que construíram a base. Ethel Barrymore foi uma dessas mulheres. Ela abriu caminho para outros, provando que a voz de uma mulher pode transmitir uma produção. Não apenas apoiá-lo. Leve-o. Seu legado não está apenas nos papéis que desempenhou. Está no padrão que ela estabeleceu. Um padrão de excelência que ainda hoje ecoa.

Então, da próxima vez que você assistir a um filme com uma atuação que parece fácil, mas profundamente enraizada, lembre-se dela. Lembre-se da mulher que se recusou a fazer concessões. Que exigia mais de si e dos que a rodeavam. Ethel Barrymore não apenas atuou. Ela se apresentou. E ao fazer isso, ela mudou o jogo. Para sempre.

Ethel Barrymore não esperou que Hollywood a encontrasse. Filha de Maurice e Georgiana Drew Barrymore, ela se destacou nos palcos de Nova York em 1894. Seu campo de treinamento foi a empresa dirigida por sua avó, a formidável Louisa Lane Drew. Foi uma dinastia familiar construída sobre tábuas.

Sua descoberta não aconteceu primeiro na América. Chegou em Londres durante a temporada 1897-98. Ethel obteve seu primeiro grande sucesso em The Bells e Peter the Great. Os críticos perceberam. O palco era dela.

Em 1901, ela cruzou o lago novamente para estrelar na Broadway. A peça era Capitão Jinks dos Horse Marines. Um papel. Uma cidade. Uma carreira lançada.

Você conhece o nome Barrymore. A dinastia está profundamente enraizada no DNA de Hollywood, mas antes que a obsessão pelo cinema assumisse o controle, Ethel já era a rainha indiscutível do palco. Ela não apenas agiu; ela foi curadora de uma época.

Seu currículo parece uma masterclass de drama do início do século XX. Em 1905, ela deu vida a Alice-Sit-by-the-Fire. Em 1910, ela estava enfrentando Mid-Channel e, um ano depois, Trelawny of the “Wells” consolidou seu status. As peças continuaram chegando. Déclassée em 1919. Um renascimento de The Second Mrs. Tanqueray em 1924. The Constant Wife chegou em 1928. Depois Scarlet Sister Mary em 1931. Whiteoaks seguiu em 1938. E mesmo no início da década de 1940, ela ainda comandava os conselhos com The Corn Is Green em 1942.

Mas aqui está o chute. Não bastava apenas estrelar os sucessos. Ela queria uma base. Um lugar com o nome dela na porta.

Entre no Teatro Ethel Barrymore.

Inaugurado na cidade de Nova York em 1928, este local não era apenas um teatro; foi uma peça legada. Foi a primeira casa da Broadway dedicada a uma única atriz. Para marcar a ocasião, ela estrelou O Reino de Deus. Foi uma entrega simbólica. O palco era dela. O nome era dela. O poder era dela.

Ethel Barrymore não ficou apenas no palco. Ela perseguiu os holofotes nos circuitos de vaudeville, nas ondas de rádio e nas primeiras telas de televisão, interessando-se pelo cinema ao lado de seus irmãos Lionel e John. Os Barrymores viram o cinema chegando e agiram rapidamente, reconhecendo o potencial explosivo do meio enquanto o resto da indústria ainda tentava descobrir como focar uma lente. Ethel, no entanto. Ela não estava aceitando.

Sua estreia no cinema ocorreu em The Nightingale em 1914. A partir daí, ela oscilou entre os sets de Nova York e os lotes ensolarados de Hollywood até 1919. Foram alguns anos agitados. Mas o glamour da tela prateada nunca funcionou para ela. Ela achou o estilo de vida sufocante e o meio insatisfatório. Então, ela fez o que sabia fazer de melhor: fez as malas e voltou para Nova York. De volta ao teatro. De volta para onde ela sabia que pertencia.

Das telas silenciosas à glória do Oscar

Sua incursão no cinema foi surpreendentemente escassa durante os loucos anos 20 e os sombrios anos 30. Houve apenas um projeto: Rasputin e a Imperatriz (1933). Continua sendo uma nota de rodapé única na história do cinema como a única foto em que ela compartilhou o quadro com seus irmãos famosos. Durante vinte anos a tela ficou em silêncio para ela, ou melhor, ela esperou o papel certo para justificar a ruptura.

Essa espera terminou em 1944. Clifford Odets viu algo específico nela e a convenceu a voltar aos holofotes. O papel? Uma mãe cockney empobrecida em None but the Lonely Heart. Cary Grant foi seu co-estrela, interpretando o filho pelo qual ela teve que lutar contra um mundo que parecia determinado a esmagá-los.

“Ela efetivamente suavizou seu estilo de atuação.”

Não foi seu floreio teatral habitual. Foi contido. De castigo. O desempenho lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, uma validação que parecia muito atrasada. Ela não estava apenas provando que sabia atuar; ela estava provando que poderia desaparecer em um personagem.

O impulso não parou por aí. Um ano depois, ela fez outra atuação compassiva em The Spiral Staircase (1946). De repente, ela parecia confortável diante das lentes. A intimidação do médium havia desaparecido, substituída por uma confiança silenciosa.

Nos anos que se seguiram, os diretores não sabiam mais o que fazer com ela. Eles continuaram a considerá-la a matriarca imperiosa, mas adorável. Você a veria na tela, comandando a sala com um olhar, irradiando autoridade envolta em calor. Tornou-se seu modelo, mas ela o possuía.

Em 1955, ela sentiu que era hora de documentar a viagem. Seu livro de memórias, Memories, an Autobiography, chegou às prateleiras, oferecendo uma visão por trás da cortina de uma vida vivida em grande parte nas sombras da fama antes de finalmente pisar na luz.