De onde realmente vêm as histórias dos tablóides?

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Você os viu. As manchetes gritam com você no caixa. Escândalos de celebridades. Avistamentos bizarros. Bebês de duas cabeças. Alienígenas. Eles se sentem completamente desligados da realidade, especialmente se sua dieta de notícias consiste em reportagens áridas e verificadas, encontradas em lugares como o New York Times ou o Washington Post. Jornalistas sérios verificam cada nome e data. Eles procuram múltiplas fontes. Eles buscam a objetividade. Os tablóides não se preocupam com nada disso.

Então, de onde realmente vem o conteúdo?

A resposta é confusa. Às vezes, é pura ficção.

Nas décadas de 1950 e 60, a era do “sexo e violência” dos tablóides, as histórias muitas vezes eram fabricadas do nada. Os escritores construiriam narrativas com detalhes plausíveis suficientes para mantê-las firmes. Hoje, essa prática evoluiu, mas não desapareceu. Se você ler uma história sobre um evento incrível em um canto remoto do globo, ou se as pessoas citadas forem identificadas apenas como “fontes” ou “insiders”, trate-a com extremo ceticismo. Provavelmente é uma invenção “top-of-the-head”.

Geralmente, esse é o último recurso para os editores. Eles preferem começar com um grão de verdade e esticá-lo até quebrar.

Mas a história maior não se trata apenas de escrita ruim. É uma questão de propriedade.

A Consolidação do Sensacionalismo

O panorama dos tablóides americanos mudou drasticamente em 1999. A American Media, Inc. (AMI) comprou todos os principais tablóides de supermercado do país.

Esta não foi apenas uma nova publicação. Foi um império.

O Inquiridor Nacional. Estrela. Globo. Examinador Nacional. Notícias semanais do mundo. Tudo sob o mesmo teto.

Esta consolidação deu à AMI um controlo sem precedentes sobre as narrativas que chegam a milhões de leitores. Permitiu uma abordagem padronizada do sensacionalismo. As questões permanecem: como essa indústria evoluiu? Que impacto tem este poder concentrado nos grandes meios de comunicação social e na televisão?

Vamos nos aprofundar na mecânica do jornalismo tablóide. Veremos a origem, a história e os efeitos em cascata no cenário mais amplo da mídia. A verdade raramente é clara nestas páginas, mas o negócio por trás delas é muito claro.

A arte da mentira do tablóide

A verdade é opcional. É apenas uma sugestão.

Os redatores de tablóides não precisam de fatos. Eles precisam de declarações. Se alguém afirma que uma história é verdadeira, o escritor a publica. Esse é todo o livro de regras. As fontes são recolhidas como comida barata. Especialistas são contratados na hora para dar gravidade ao absurdo. O objetivo não é precisão. É o volume.

Cotações de fabricação

Considere o processo de entrevista. Um escritor não faz perguntas abertas. Eles lideram. Eles empurram. Eles elaboram a narrativa antes mesmo de o sujeito abrir a boca.

Veja como funciona na prática:

Um repórter encontra uma testemunha. O assunto é Pé Grande. O escritor não pergunta: “O que você viu?” Essa é a hora do amador. Em vez disso, o escritor pergunta: “A fera furiosa uivou de fúria? Soou como um demônio do próprio inferno?”

Se a testemunha concordar. Se eles disserem que sim. A história está escrita.

“Então a fera furiosa uivou de fúria. Parecia um demônio do próprio inferno!”

A testemunha nunca disse essas palavras exatas. O escritor fez. Mas a testemunha concordou com o enquadramento. Isso é o suficiente. A citação permanece. Vai para impressão. A mentira vira “fato” porque foi atribuída a uma fonte que não corrigiu o roteiro.

Falsos Especialistas, Impacto Real

As credenciais são para jornais sérios. Os tablóides não se importam com diplomas. Eles se preocupam com títulos.

“Jim Smith, especialista em Pé Grande e famoso guia selvagem…”

Jim poderia ter estudado em seu quintal por três semanas. Ele pode não saber nada sobre primatologia ou folclore. Não importa. O escritor dá esse título a ele. Depois vem a estatística.

Jim estima 500 criaturas nas florestas do Oregon. Ele mesmo viu vários.

Se Jim viu cinco esquilos ou cinco macacos é irrelevante. A cotação está na bolsa. A autoridade é fabricada. A história está vendida.

A mina de ouro da última página

De onde vêm essas histórias? Não das redações de notícias de última hora. Não em conferências de imprensa.

Eles vêm das últimas páginas dos jornais tradicionais.

Um jornal sério poderia publicar uma pequena sinopse sobre um caminhante desaparecido no noroeste do Pacífico. Três frases. Sem drama. Apenas fatos.

O redator do tablóide vê isso. Eles veem o potencial. Eles não vão para a floresta. Eles não investigam. Eles ficam no escritório.

Esta é a principal diferença entre as redações dos tablóides e as tradicionais. Os redatores de tablóides raramente saem de suas mesas. Eles não fazem trabalho de campo. Eles fazem ligações.

Eles ligam para familiares. Eles chamam as autoridades. Eles ligam para qualquer pessoa envolvida.

Dando corpo ao elemento humano

A estratégia é a expansão simples. Pegue uma pequena notícia. Infle-o.

Usando essas ligações, o escritor extrai citações. Não sobre o evento. Sobre as pessoas.

Como a mãe se sentiu? Ela estava apavorada? Ela gritou para o céu? Esses detalhes transformam uma denúncia de desaparecimento em uma novela. O próprio evento se torna um ruído de fundo. O drama humano ocupa o centro do palco.

Esta é a marca registrada do estilo. Não é sobre o que aconteceu. É sobre como foi. E se você puder citar alguém dizendo que estava apavorado, você tem uma história.

Não importa se o terror era real. Ou fabricado. Ou

O rastro do dinheiro nas fofocas sobre celebridades é mais longo e complexo do que a maioria dos leitores imagina. Tudo começa com um jogo de chão de informantes humanos. Todo grande tablóide opera com uma rede incorporada de fixadores. Estas não são apenas dicas aleatórias. São cargos remunerados preenchidos por pessoas que trabalham nos círculos íntimos das celebridades.

Pense em seguranças de hotéis de luxo. Motoristas pessoais. Cabeleireiros que ouvem tudo na cadeira do salão. Até policiais na ronda. Quando algo acontece, essas fontes ligam primeiro para o redator específico do tablóide.

O pagamento depende inteiramente do prêmio. Um furo sobre um pequeno ator de TV pode render algumas centenas de dólares a uma fonte. É um troco para eles, mas mantém o fluxo do pipeline. Mas receber uma manchete sobre Madonna ou Britney Spears? Esse é um jogo diferente. Essas fontes podem sair com milhares por uma única dica.

O pagamento depende inteiramente do prêmio. Um furo sobre um pequeno ator de TV pode render algumas centenas de dólares a uma fonte.

No entanto, nem tudo são vazamentos ilícitos. Uma grande parte das “notícias de última hora” vem direto das próprias estrelas. Freqüentemente, é orquestrado por publicitários. Algumas celebridades tratam os tablóides como uma ferramenta de marketing. Eles oferecem histórias exclusivas dos bastidores em troca de cobertura gratuita. É uma transação.

Às vezes é mais transacional no sentido jurídico. Um tablóide pode concordar em não publicar uma história desagradável e prejudicial sobre uma estrela específica se o publicitário dessa estrela fornecer uma exclusividade positiva ou neutra. É uma trégua silenciosa. Os estúdios fazem a mesma coisa. Eles vazam detalhes do roteiro ou notícias sobre o elenco das próximas temporadas de TV. Eles querem o hype. Os tablóides obtêm o conteúdo. Todos ganham, desde que você não conte a privacidade das pessoas envolvidas.

Mas o público ainda anseia por imagens. Imagens brutas e não filtradas.

O preço de uma foto

Essa demanda deu origem ao paparazzo moderno. Esses fotógrafos são muito bem pagos por fotos pelas quais outros matariam. O modelo de negócios é simples. A demanda é alta. A oferta é agressiva.

Os paparazzi não estão apenas tirando fotos à distância. Eles perseguem. Eles esperam. Eles tentam pegar celebridades quando elas ficam mal. Não se trata de arte. Trata-se de capturar um momento de vulnerabilidade ou indiscrição. O comportamento frequentemente ultrapassa os limites éticos e muitas vezes invade a privacidade pessoal.

As apostas tornaram-se mortais. A perseguição agressiva da princesa Diana por parte dos fotógrafos está diretamente ligada ao acidente de carro que a matou. É um exemplo sombrio de quão longe essas fontes irão por um quadro.

O próprio termo está preso em nosso léxico cultural. Vem de La Dolce Vita. Havia um personagem chamado Paparazzo, um fotógrafo de notícias. Em italiano, o plural é paparazzi. O filme popularizou a ideia do fotógrafo incômodo. O nome pegou globalmente. Agora, é a palavra padrão para quem persegue uma celebridade com lentes longas.

Tablóides e a lei

Então, como eles escapam impunes? O cenário jurídico é um campo minado. As leis de privacidade variam muito dependendo de onde você está. Na União Europeia, a privacidade é um direito humano. Nos EUA, é uma colcha de retalhos de leis estaduais e interpretações constitucionais.

Os tablóides geralmente operam nas áreas cinzentas. Eles reivindicam um direito ao interesse público. Argumentam que as celebridades são figuras públicas e, portanto, têm uma expectativa reduzida de privacidade. Mas onde está a linha?

Os tribunais têm lutado com isso há décadas.

Os tablóides enfrentam processos judiciais, com certeza. Mas não com tanta frequência quanto você imagina. Há uma razão para essa lacuna entre a percepção pública e a realidade jurídica.

Nos anos cinquenta e sessenta, as regras eram vagas. Os editores descobriram que poderiam imprimir quase tudo. Bill Sloan, ex-editor do National Enquirer, observou isso em seu livro I Watched a Wild Hog Eat My Baby. Ele explicou que as celebridades raramente processavam jornais de baixa renda como o Informer. Por que? Duas razões principais.

Primeiro, a publicidade de um processo judicial pode prejudicar mais do que a história falsa. Em segundo lugar, de qualquer forma, esses editores muitas vezes não tinham dinheiro. Você não pode cobrar uma decisão de alguém com os bolsos vazios.

Essa dinâmica mudou nas décadas de oitenta e noventa. A circulação atingiu dezenas de milhões. Os ativos dispararam para bilhões. A desculpa de “não ter dinheiro para pagar” desapareceu.

A atriz Carol Burnett previu essa mudança. Em 1981, ela processou o National Enquirer. A revista alegou que ela era uma bêbada pública. Ela ganhou US$ 1,6 milhão inicialmente. Os recursos reduziram esse valor. O caso foi resolvido fora do tribunal.

Aretha Franklin fez o mesmo. Ela processou a revista Star em 2001. A publicação alegou um sério problema com bebida que afetou suas performances. Ela buscou US$ 50 milhões. Arnold Schwarzenegger, Tom Cruise e Nicole Kidman também processaram tablóides com sucesso.

Navegando em processos por difamação

A lei de difamação é confusa. É complicado o suficiente para que os principais tablóides mantenham os advogados sob custódia. Eles revisam cada artigo antes de chegar às bancas. Os escritores sabem onde está o limite. Eles empurram contra isso.

Histórias ultrajantes em publicações como o Weekly World News? Esses raramente enfrentam ações legais. Histórias sobre OVNIs ou cultos bizarros são difíceis de provar ou refutar.

Não há lei contra a invenção de notícias falsas. Não se pessoas reais não forem caluniadas. Essa é a principal distinção.

Compreendendo os tipos de difamação

Calúnia e calúnia são formas de difamação. Este termo descreve a emissão de uma declaração falsa sobre outra pessoa. Isso lhes causa danos.

A diferença está no meio. Se a declaração for escrita ou impressa, é difamação. Se for falado, é calúnia.

Os advogados dos tablóides entendem essa distinção. Eles garantem que as histórias permaneçam na área cinzenta. Eles evitam acusações diretas que podem ser comprovadamente falsas. Em vez disso, eles implicam. Eles sugerem. Eles permitem que o leitor conecte os pontos.

Esta estratégia minimiza o risco legal. Permite o sensacionalismo sem ação judicial imediata.

A história dos jornais de fofoca

As origens dos tablóides remontam aos jornais do início do século XX. Eles buscavam públicos mais amplos com custos de produção mais baratos. Formatos menores eram mais fáceis de transportar. Mais barato para imprimir.

Eles se concentraram no crime, escândalo e celebridade. Esta fórmula funcionou. Os leitores queriam conteúdo rápido e fácil de digerir.

Com o tempo, a indústria evoluiu. A mídia digital mudou a distribuição. Mas o apelo central permanece. As pessoas adoram fofoca. Eles adoram drama.

Os tablóides atendem a esse desejo. Eles andam na linha tênue. Eles testam limites. Mas raramente se transformam em responsabilidade clara.

A menos que uma celebridade decida revidar. E às vezes, eles fazem.

Por que se chama jornalismo amarelo

Você pode se perguntar por que o termo “jornalismo amarelo” pegou. Não se trata da cor da tinta ou do estoque de papel. É sobre uma história em quadrinhos. Especificamente, Hogan’s Alley, um recurso extremamente popular no New York World de Joseph Pulitzer. A estrela? “O Garoto Amarelo”, desenhado por Richard F. Outcault.

Hearst não apenas copiou o estilo; ele roubou o artista. Ele contratou Outcault da equipe de Pulitzer e deu ao personagem sua própria plataforma no New York Journal. Pulitzer respondeu contratando George Luks para manter Hogan’s Alley vivo. Foi uma guerra de celebridades antes do termo existir. A rivalidade definiu uma época. Foi sensacional. Foi competitivo. E deu nome a um estilo de reportagem que priorizava o hype em detrimento da verdade.

Como o tablóide sobreviveu (e prosperou)

Então, por que esses documentos sobreviveram quando tantos outros morreram? Adaptação.

A Grande Depressão destruiu muitos dos gigantes dos tablóides originais. Mas o formato não morreu. Ele sofreu mutação. Em 1952, Generoso Pope Jr. comprou o New York Enquirer por meros US$ 75 mil. Ele não apenas salvou. Ele reinventou isso. Ele mudou para o formato pequeno que reconhecemos hoje e se concentrou em uma coisa: o desejo humano de ficar boquiaberto.

“Se fosse o sangue que interessasse às pessoas, eu daria a elas.”

A estratégia de Pope foi brutal, mas eficaz. Fotos sangrentas da cena do crime. Histórias de assassinato. A circulação disparou. Ele provou que os leitores não queriam apenas notícias. Eles queriam espetáculo.

Rupert Murdoch viu o potencial deste modelo. Seu News of the World na Inglaterra deu um passo adiante. Ele acrescentou fotos de celebridades e escândalos sexuais à mistura. Não se tratava mais apenas de crime. Era uma questão de intimidade. Foi sobre escândalo. O artigo de Pope seguiu o exemplo. Expandiu-se além da cidade de Nova York. Tornou-se o National Enquirer.

A mudança para supermercados e autoajuda

A década de 1960 trouxe um novo problema. As bancas de jornais tradicionais estavam desaparecendo. Se o Enquirer permanecesse nessas arquibancadas, ele desapareceria com eles. Pope viu um novo canal de distribuição. Grandes redes de supermercados.

Mas havia um problema. Os supermercados não estocariam fotos nojentas. Não combinava com a marca deles. Foi muito chocante. Então, Pope limpou a imagem. Ele mudou o conteúdo. Ele se concentrou em celebridades. Ele se inclinou para o paranormal. Ele adicionou artigos de autoajuda. Foi uma abordagem mais suave. Era palatável para o consumidor médio que comprava leite.

A fórmula funcionou. Outros tablóides copiaram a estratégia. O formato mudou. O conteúdo mudou. Mas o apelo central permaneceu o mesmo. Curiosidade. Choque. Escapismo.

Por que os tablóides ainda dominam

Hoje, a linha entre um “tablóide” e um “folha” está mais confusa do que nunca. Muitos jornais sérios usam o tamanho menor, mas recusam o rótulo. Eles se autodenominam “compactos”. Por que? Porque “tablóide” agora implica um certo nível de irreverência. Uma certa falta de seriedade.

A penny press da década de 1830 deu início a tudo. Eles queriam apelar para a classe trabalhadora. Eles usaram frases simples. Descrições vívidas. Eles escreveram para os sentidos, não apenas para o intelecto. Esse DNA ainda está no sangue de todas as colunas de fofocas sobre celebridades hoje.

Hearst e Pulitzer brigaram por causa de um desenho animado. Pope lutou por espaço nas prateleiras. O meio muda. O desejo de drama não.

E, no entanto, com a ascensão dos meios de comunicação digitais, o tablóide físico enfrenta o seu próprio evento de extinção. Mas isso é uma história para outro dia.

Gene Pope não herdou uma mina de ouro quando comprou o New York Enquirer em 1952. A circulação ficou em escassos 17.000 [Sloan, pág. 28]. Avançando para o final dos anos 1970 e 1980, a indústria estava crescendo. O National Enquirer não estava apenas crescendo; estava explodindo, ultrapassando 5 milhões de cópias impressas [Sloan, pág. 218].

Foi a era de ouro do tablóide de supermercado. Você poderia comprar um com suas compras, sua gasolina, talvez até seu leite. Mas esse apogeu já passou.

A circulação geral dos tablóides despencou até 60% desde aqueles anos de pico. O Globe, que já foi um produto básico, viu seus números caírem para menos de 1 milhão. Notícias mundiais semanais? Está se apegando a cerca de 300.000 cópias por semana. Hoje, o National Enquirer relata uma circulação de apenas 2,7 milhões [ref].

Se você olhar para o portfólio mais amplo, a American Media afirma uma circulação total do Enquirer, Star, Globe, National Examiner e Sun de 5,4 milhões [ref]. É um número impressionante, com certeza. Mas é também um declínio constante que não mostra sinais de parar.

Por que os tablóides perderam sua vantagem

O declínio pode, na verdade, ser resultado do próprio sucesso dos tablóides. Eles foram tão eficazes em focar no entretenimento em vez de nas notícias concretas que a grande mídia tomou nota. Quando os jornais e as redes de TV perceberam o aumento vertiginoso das vendas, adotaram táticas semelhantes para aumentar sua audiência e número de leitores.

A ironia atingiu mais duramente durante o escândalo de Monica Lewinsky. À medida que os principais meios de comunicação aceleravam, o número de leitores dos tablóides realmente diminuía. Por que? A grande imprensa estava dando aos leitores todos os detalhes escandalosos que eles poderiam desejar. Eles estavam competindo exatamente com aquilo de que costumavam zombar.

Hoje, revistas como People e Us pegaram essa fórmula suavizada dos tablóides e a aperfeiçoaram. Eles o tornaram brilhante. Eles tornaram tudo seguro. Algo que você não tem vergonha de deixar aberto na mesinha de centro da sala de espera de um dentista.

O sucesso dos tablóides gerou até mesmo um gênero inteiro de TV: a televisão tablóide. Programas como Hard Copy e Entertainment Tonight oferecem as mesmas fofocas sobre celebridades e histórias sensacionais, mas em um ritmo mais rápido e com valores de produção mais elevados. Visualmente atraente? Sim. Essencial? Discutível. Mas conquistaram o público que comprava o papel amassado no caixa.

Respeito sem Vendas

Apesar da diminuição da circulação, os tablóides ganharam um estranho tipo de legitimidade. Quando o escândalo de Monica Lewinsky estourou e o O.J. O julgamento de Simpson consumiu o país, muitas pessoas perceberam que os tablóides tinham algo a seu favor: uma legião de repórteres completos e dedicados.

Estes não eram apenas espalhadores de boatos. Eles eram escavadores habilidosos. Cobertura tablóide do O.J. O caso Simpson, particularmente pelo National Enquirer, forçou um maior grau de respeito por estes jornalistas. O Enquirer divulgou histórias sobre os sapatos de Simpson e um traficante que lhe vendeu uma faca semelhante à arma do crime. Eles relataram esses aspectos-chave do caso antes dos principais jornais.

Cobertura tablóide desses eventos, particularmente a cobertura do National Enquirer sobre O.J. Simpson, levou a um maior grau de respeito pelos repórteres de tablóides.

A mudança na percepção é real. O “furo” não é mais apenas ser o primeiro; trata-se de ser minucioso. Mas aqui está o problema: este aumento no respeito não se traduziu num aumento nas vendas. O público que respeita o jornalismo é menor do que o público que comprava o jornal por tédio ou culpa.

A paisagem mudou. Os tablóides não morreram porque estavam errados. Eles morreram porque acertaram muito cedo e com muita frequência, até que o resto da mídia os alcançou e fez com que tudo parecesse mais limpo.

O legado do furo

As linhas estão confusas agora. Notícias sérias e notícias leves se fundiram em um único fluxo de conteúdo. A distinção entre o que é “notícia” e o que é “fofoca” é mais difícil de traçar do que era quando Gene Pope lutava para vender 17.000 exemplares.

Os tablóides abriram caminho para a obsessão do ciclo de notícias 24 horas por dia com celebridades e escândalos. Eles provaram que as pessoas queriam detalhes interessantes. Eles provaram que os leitores pagariam pelo acesso à vida privada.

Mas esse público está diminuindo. A internet fragmentou ainda mais a capacidade de atenção. O papel físico tornou-se menos relevante. No entanto, o DNA do tablóide está em toda parte. Está nas manchetes. Está nos intervalos da TV. Está na maneira como consumimos informações hoje.

O National Enquirer ainda existe. O Globo ainda existe. Eles estão mais quietos agora. Menos visível. Mas qual o impacto que tiveram na forma como recebemos as nossas notícias? Isso continua alto.

Fontes:
– Pássaro, S. Elizabeth. Para mentes curiosas: um estudo cultural de tablóides de supermercados. Imprensa da Universidade do Tennessee, 1992.
– Calder, Iain. A história não contada. Livros Miramax, 2004.
– Miraldi, Roberto. A caneta é mais poderosa. Palgrave Macmillan, 2003.
-Sloan, Bill. *Eu assisti